domingo, 18 de junho de 2017

silente

meu corpo agora esse
estranho
ao qual só como visita
visitas

não tocas nada e tudo
se empoeira
unhas crescem
a língua atrofia
nos confins do silêncio
o grito

aninho no colo a solidão
bola de pelo
que ronrona e desliza
pela curva de um destino
branco
enrolado nesses lençóis

não temas:
retira o pano pálido
com que vestiste
o espelho dos olhos

por detrás das cortinas
soo ainda trovão
e tempestades

então entra na casa
como quem entra sem cerimônia
na própria vida:
com a lama
de tuas botas sujas


.



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