terça-feira, 20 de dezembro de 2016

iridiscência

o medo cuspiu na minha cara
eu pensei que era você, com
tua saliva e dna's passageiros

mas não
era o ecnóide de mil patas
o anelídio sedento de merda
a hidra gigante
escondida na inflamação da minha garganta

o medo cuspiu na minha boca e me desmetriquei
trimiliquei
terceiro olho em explosão iridiscente
arco-íris líquido na rótula esquerda
meu umbigo direito, um depósito de fobias
e feromônios

eu sabia antes mesmo de saber: não se luta
com medo se luta com o medo
mas a gente sempre perde, ou
se perde

não há lugar mais inóspito do que nos vãos
do meu pólipo cerebral: chuva elétrica devastando a intuição

meus neurônios são células nervosas e tamborilam os pés
por debaixo da mesa

e eu perdi a fome numa viagem que fiz a orion e nunca mais
voltei

não há para onde fugir dentro de mim

o medo tem a cara do escuro e de noite,
das luzes acesas


.

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