quarta-feira, 16 de novembro de 2016

sujas são as ruas da liberdade



furuike ya

kawazu tobikomu
mizu no oto

diria ser sashimi isso de mym
entre teus dentes

e sorriria o riso mais infinito

mas só há silêncio na boca, cheia d'água

eu te desejo co'a mesma fome de antes
da fome desse teu sorriso tão... infinitos
fios de cabelo diagramando
o olhar:

milenar é a cultura do amor

gotas nuas dançam sobre guarda-chuvas decorativos
e sob nossos pés ávidos queimando asfalto, calçadas,
bocas-de-lobo, poços e poças
impuras
e sujas são as ruas da liberdade

mas não me importa que sob nossas unhas bichos
carpinteiros construam telhados
pra duas águas

e tão afinados
teus caninos aos meus
traçando rotas mais ou
menos seguras
pro nosso barquinho de sushi em plena tempestade

mergulho
os dedos nos teus cabelos: sempre-os-teus-cabelos
de anjo
enrolando meus dedos negros
de shoyu

se come crua a carne do pensamento?

misturo letras no karaoke
cara, o quê?

como são hábeis teus dedos na arte
de deter o aroma débil desses indizíveis

detalhes presos às pontas do hashi

saciedade se escreve com dois
esses ou c?

eu sei que

I.
em algum lugar duas rãs descansam
insubmissas à poesia

II.
nus sobre o tatame
os peixes dormem
olhos abertos encarando os sonhos


.

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