terça-feira, 11 de outubro de 2016

a mar

se te confundo com o mar
é porque nada
sei dos meus mistérios

talvez menos por causa dos olhos
e mais pelas mãos
que vãos
e vem sobre meu próprio corpo
plástico
de ideias

rara, sou és
-sa que m'olha nublada
encrespada de ondas
pelos em riste
e unhas encravadas
na poesia

no dorso do teu pescoço
que já foi e mesmo assim
permanece

permane'sença

se me confundo com o mar
é porque nado
no entretempo
das coisas que se inscrevem
sobre a rocha dura da palavra
túmulo aberto
em que moro
                          me demoro
rememoro

em memória
do girassol tatuado nas costas
pétalas derramadas
sobre a cama
num incêndio que nunca mais
me apagou

.

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