quarta-feira, 28 de setembro de 2016

folheio teus cabelos nessa manha de quarta-feira

um sol:
teu sexo na minha boca
aquecendo palavras mergulhadas num gole
de silêncio

a luz penetra com força o vão entre as duas
bandas da cortina
tua bunda sempre
linda
sobre a minha
linda também

então trago tua fumaça pra minha
e sopro sobre teus cabelos
fio de nylon resistente à pescaria

três gotas de cera quente sobre as costas
é pharmakon suficiente
para um gozo vermelho
e in-can-descente

o segundo sol pulsando
na palma da minha mão
teu nome
escrito com gilete sobre os trilhos da vida

é bom que chova um pouco à tardinha
porque labaredas consomem o agreste
dos lençóis

dois sóis
na órbita da boca

fecho os olhos: não importa
ouço o trem
só em você eu ardo



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