quinta-feira, 29 de setembro de 2016

folheio teus cabelos nessa manha de quinta-feira

a semana já quase acabou e
continuo lendo teu corpo de cabeceira

não há pontos finais, apenas
os vazios de páginas brancas
e por escrever

mesmo assim li teu rodapé
de joelhos
enquanto teus dedos folheavam os meus
cabelos

restos de resistência
apodrecendo entre os dentes

uma chama enterrada na vela
me vela ou chama
depois desaparece
com o gosto da tua língua es-
correndo na minha
rumo ao breu desses nós
mesmos

meu nome é agora ainda antes das 6
[e temos tempo]
a senha é um acento lituano no u
depois passa saliva
na ponta dos dedos
e vira as páginas da minha história
sem se preocupar com o contéudo

só a forma
       faz
       literatura

é sempre no depois que se demora
o agora

um beija-flor sugando sementes
de marijuana
e petúnias espetadas nos ombros
camuflam o rugir do despertador
mas despertam
tudo que é carvão esquecido na extremidade da cama

aí você me inflama e outra vez
eu ardo


.

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