terça-feira, 27 de setembro de 2016

folheio teus cabelos nessa manhã de terça-feira

desse incêndio só me restaram
os dentes
empenhados no sorriso sonso
de cinzas

eu quero é crescer livro brotar
nuns verdes longos
sumorosos de cama-de-açúcar
meu de engenho
e mais outra vez
fogo

labaredas lambendo o costado
do asfalto

e os meus olhos muito secos
descobrindo
assimetrias

um eito é muito chão pr'essa
queimada
e é o inverno ainda sugando
a gravidade
dos mamilos

os livros sobem perniciosos
pelas estantes
e minhas pernas, fortes, sobem mais ainda

teu céu, meu limite infinito

minhas cinzas todas penhoradas
no esfregaço de dentes lascados

uma caverna é o tamanho exato
pra essa floresta
sem pressa
sempr'essa

então a gente se arrisca no risco
de um riscado: papel pautado
brasa incandescente, rubor vivo
depois ai


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