sexta-feira, 29 de julho de 2016

A cabra

há tanto tempo que nem sei quando foi o quando mais certo em que comecei a te criar, te deixar num corre largado de prados frescos, comendo de sua própria fome, cabra ancuda, chifrenrolada nas ideias, fêmea da seca montanhosa, lanhosa e lustrosa nos cascos, cabra-angorá carnuda parida na ponta do lápis, e eu já nem sei e se soubesse diria que foi nuns outubros certamente porque mês outro que não esse que é dos maios macios onde é a mais pura verdade: me escondo em você, toda em caco, caprítica, partida, barba finafininha, balido baixo, sendo outra que outubra só nos cantos, pouco conformada à capinagem e confinada na adversidade de mimesma, domestico é nada que tão selvagem aquela que não se aparenta a si quando a selvageria está na seiva da pele em flor, despelada, em carne crua descarnada, desgraçada, prolífera, aquela que não é e cabra sendo...

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