domingo, 10 de abril de 2016

[nudez]

e haverá ainda nudez encoberta por palavras?
ou será apenas um absoluto 
como deus e a liberdade das pedras que não 
conhecem conceitos?

o que haveria de ver sobre minhas mãos se a-
pagasse o cruzamento das linhas q'um dia colidiram co'as tuas?
ou se extraísse dos meus próprios pés as esquinas
de todo trajeto
toda memória
toda história 
que sinalizam o futuro
do pretérito?

e se, das coxas e pulsos, desenrolasse, um a um, os versos  de
seda vermelha
sobre longa cicatriz?

e, se tudo ao corpo me arrancasse, não haveria ainda música?
a música
soando, agora, à meia-luz ou
o perfume
ensurdecedor?

despudorado o poema se exibe 
demoroso 
salto alto sobre a mesa
perdido entre os lençóis
castigando verdades absolutas

disciplinada no poema a nudez 
é o sonho 
da poesia


.

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