domingo, 10 de abril de 2016

[minha aldeia]

solitária
é a aldeia que cabe na minha cama

antes um primoroso de rios sempre
indo e vindo
regando margens, amainando fronteiras
vindo e indo

foram-se os rios para outras nascentes

hoje só leito
coberto de seixos e gravetos, sem
a gravidade 
das avencas
o vermelho
dos gerâneos em botão

havia céu
mas quem haveria de ver o céu
quando a terra tão úmida 
e tátil?

hoje azuis profundos
serenam a casa de uma só aldeã
aldeã de conceitos

shekinah

solitária
guardiã do fogo 
fabricando suas próprias chuvas


.


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