quarta-feira, 13 de abril de 2016

devir-besta

cortaram o chifre do meu deus
dos unicórnios
mudaram a pronúncia do meu nome nômade: ninguém
me persegue
só a vida
graduada de ss
salve-se quem souber
porque é tudo lamento nos muros vermelhos do habbib's

levamos eras pra ficar em pé
e alguns anos pra nos botarem sentados
sedentários
e sedentos de vigilantes
do peso

quebraram meu golem
os dentes do meu urso
lenharam as raízes da yggdrasil pra fabricar
o clã das cadeiras quadrúpedes
desfiguraram meu totem
riscaram os lutos tatuados em minha garganta
um poema
do eliot
embrulhado em plástico bolha

içaram meus olhos com o guindaste de produzir
fiéis
somos todos fodidos
sem foder
titilando a tela touch
escavando microgozos holográficos

chove sobre seixos podres de antigas fogueiras
na língua a lama se mistura ao meio-
amargo do café descafei-

nada

se oca e empalhada
quem pensa essa revolução em minhas mãos
paralisadas?

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