quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

do imperdoável

de quem são os rostos que violentam meu sono?

a fênix não pode parar
de nascer
essa é a sua sentença

e rara é a palavra
proferida
no quase-silêncio
das pedras

traços
lembranças do que jamais
                     [se] passou

a menina traída
no balanço distante
olha-me acusadora:

'por que revelou
meus segredos?'

(ouço-a no eco
das coisas mudas)

ela me aponta o indicador
no lugar da unha, uma ferida
sangra

(de que liberdade falamos se mesmo o meu olhar
contido
na circularidade do olho?)

digo não sei
e que os segredos não são ainda
o segredo

mas a tinta da caneta é azul
e já escorre entre os dedos

(uma cicatriz na íris comprometerá para sempre
sua identificação)

então a memória
mora atrás
ou à frente
do pensamento?

digo não sei
e peço perdão



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