domingo, 3 de janeiro de 2016

algo



algo de asas me coçavam as costas 
e quando olhei pra trás não eram asas, não eram metáforas aladas, 
eram costas; 

algo de naus me rasgavam o peito 
e quando olhei pros peitos, não eram naus, não eram metáforas marítimas, 
eram peitos; 

então algo de abuso, algo de traição, algo de faca afiada 
cortou meu pensamento, 
mas quando olhei o escuro nos vãos dos trilhos
das minhas pernas 
era só menstrução; 

foi aí que algo de braços e pernas, algo de garganta e orelha, 
cu e vagina, 
algo de língua e umbigo e mamilos, 
algo de rosto nos dedos dos pés, 
cotovelos e canela, algo 
de corpo m'incorporou 
e quando olhei 
[de frente] 
pra ele já era deus...


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