quinta-feira, 5 de novembro de 2015

questão de gênesis

no verbo
nunca
houve
princípio

no dia que chegou já era a palavra-
c'obra, cobrada, infiltrada, serpente
condenada por delírios e dilúvios
ácidos
com einstein e aqueles sete anões
no molhado indecoroso da língua

e depois
arcados
os pares
em fila
rebanho de todos os nomes e sobre-
nomes, passados
a limpo por noé
humildoso oficial graduado de rg
e ss

[você não ouve o verbo, Princípia?]

aprisionada em cadeias químicas
de carbono, carbox e heteroátomos
livres

trangenesis antes ou depois
prepúcio e
precipício
vishnu suspenso na sintaxe
de pelos
e patas e
garras vermelhas de verbo
com carne

nos cascos
de gnus e hienas de pintos obscenos
encostados
nas portas
dos lares

na esquina da general ozório com a
encomendadora sera fina outro bar
chamado floresta
e fome

o princípio não ouve o verbo mudo

a gente não nasce leoa
torna-se


.

2 comentários:

  1. Uau!!! :o
    "no verbo / nunca / houve / princípio" (!!!Sou mil exclamações para esses versos!!!)
    Este poema parece inaugurar um espaço edênico. Onde habita Lilith...

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