domingo, 6 de setembro de 2015

piano flanando no mar

são termômetros isso que você segura firmemente
entre as pernas?

no mar tudo é azul benzinho e a inocência
tem cheiro de sangue

ontem abri suas cartas daltônicas com a lâmina inox dos meus dentes
tortos, de liquidificador:
purê de batatas e clichês de versos amenos
milk-shake de banana
e uma vontade enorme de pular da janela só
pra não ter de engolir sua sopa homogênea de le-tri-nhas

insensato não dormir de olhos abertos
quando um piano branco
[de duas toneladas] afia
as teclas, mas

você não entende de pianos de cauda,
então preparo um banho de acentos e passo mercúrio-cromo
nas suas feridas
porque sou boazinha e tenho essa cara um pouco infantil
duas covinhas nas bochechas
e alguns dentes tortos

é um termômetro isso aí de você apertado em neoprene?

no mar benzinho tudo é comida
de peixe

e não se pode medir a fome do animal
que vive co'a boca cheia
d'água


.

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