quinta-feira, 3 de setembro de 2015

[desconhecido]

sozinha
escrevo o poema despida
porque é assim que faço
o amor

perscruto braços, pernas e ouço
meu coração comprimido entre
os dedos, seca
e ereta como saguaros fincados
às costas

sonora, o longo deserto
que se fez altura e pele
mexicana. de ascendência escorpião

me disseram pra não confiar
nos escorpiões com relógios
de pulso
que chacoalham os guizos do tempo
quando o tempo, ah! o tempo
essa cobra
cascavel se esticando sinuosa
sobre um agora infinito e im-
pronunciável,
teu nome na aspereza dos dias
dos meus dias

porisso busco esses nós dissonantes
na tua língua noturna e invernos(s)a
névoa perseguindo a trilha de vaga-
lumes raros:

zona xamânica, cosmologia mágica
alunada pela tocha sob plexo solar
aquela de número nove,
hipólita,
belicosa no seu cinturão
de água,
a deusa lunar que à calada da noite
nos habita
amazonia, Poesia.


.



Nenhum comentário:

Postar um comentário