terça-feira, 1 de setembro de 2015

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... e é também das flores sem espécie que me irmano mais porque carnívora às vezes e outras, não; mas aquática sempre, apesar de cacto catalogado no livro de biologia das coisas inaminadas. mas é bom que se registre que já fui boa, boca, já fui vadia, fui pernas e botas vermelhas. mas talvez que tudo isso tenha me cansado um pouco dos vasos e das paredes
voal é sempre melhor do que paredes
nos azuis eu enxergo melhor e você também me parece
marinho
não como corais, mas como fundo no fundo dessas águas
marinho como tinta de caneta bic quando estou-
ra no bolso da camisa branca desenhando um coração real
ainda assim preferiria que estourasse na minha boca e
e então todas as palavras que penso já nasceriam livros

mas tudo isso - claro - só é possível porque tuas águas, tuas águas intempestivas me arremessando junco pra lá
e pra cá na página copo-de-leite branco em botão, não, são três botões ainda fechados em senha enigma críptico de acesso ao mergulho. e você nem se lembraria mas eu sim: eu me lembro de esperar e foi em 1963 nas minhas terras mexicanas e eu esperei até que o elvis tivesse coragem de novo de mergulhar daquela montanha e ele pulou, pulou em preto-e-branco e o meu corpo mar molhado se tornou canção latina e talvez tenha sido isso que corrompeu de latinidade meu bulbo lituano...
é nessa desidentidade que mais me identifico com você
que não sei quem é
mulungu régio, esticada sobre a cama tua floração rubra de sorrisos e
quer saber? acho mesmo que foi ali entre a hera e a relva que te encontrei mais bonito porque verde também são os azuis quando se misturam assim ao amar-
ela é a cor dos girassóis
esse tipo de flor estranha da espécie que tem fé
e são fiés à luz
e nunca nunca profanam o escuro encarando-o
é sempre de olhos fechados que mergulho
nos teus olhos
me demoro um pouco mais
como num banho
quente

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