terça-feira, 8 de setembro de 2015

[ampulheta]

como controlar em mim essa pulsão
de destruir
com os dentes tudo que me alimenta?

e o mais difícil é encontrar o ponto
exato em que a torneira não queima
nem esfria:
o ponto exato em que a àgua jorra
na temperatura
da saliva

minha mãe me dizia "filha toma cuidado com versos longos e des-
cabidos" eles enroscam nas pernas
e encurtam caminhos

mas aquilo nem era um verso, era
um fragmento, uma melodia colada na boca do dylan e eu só tinha
16 e uma gaita
porque os dezesseis são infinitos
e passei o resto da vida amarrada
atando as pontas dos teus versos

sonhei com eles essa noite enrolados no meu pescoço, tão brancos
lenço de voal descendo pelas costas, dando voltas à cintura
agarrados às canelas

e eu podia, sim eu podia repetir
o resto dos meus 16 ouvindo you must leave now / take what you need / leave your stepping stones behind / forget the dead you've left
they will not follow you...
mas a pulsão
a torneira e a ampulheta
de dopamina


como controlar o desejo de quebrar dentes dos versos selvagens,
baby blue?


.

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