quinta-feira, 27 de agosto de 2015

[me esqueça]

se quer que eu esqueça
recolha
de uma vez por todas todas as palavras que deixou espalhadas pela casa                         
todas as palavras 
que escaparam da mala 
cheia
que levou da minha vida
vazia

[como quer que esqueça
se tropeço em risos esgarçados 
ecoando ainda pelos corredores
frios dos meus ossos?]

não quero vê-las penduradas
no box do banheiro
coladas às minhas calcinhas
que nunca nunca
                 nunca
                 secam

nem as quero perdidas
entre lençois e fronhas
ou embaixo da cama
espiando meus sonhos
mínimos

porque mínimos são os cômodos de uma vida onde já não cabem mais palavras esquecidas
ou compostas como o cachecol que atávamos ao pescoço 
meuamorprasempreeuteamo

se quer mesmo que eu esqueça
lembre-se ao menos de voltar
pra buscar tudo o que esqueceu:

uma trouxa que te espera, 
pesando amontoada,
junto à porta da rua


.

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