segunda-feira, 29 de junho de 2015

canhoto

é canhoto esse poema que me escreve hoje
a direita sempre amputada
                        no corpo da vida
faz da esquerda via obrigatória
                        sentido único
                        luz de neon
                        pentagrama desenhado na porta

as crianças perderam os dentes
e latem
a falta de caninos nas gengivas afiadas
onde unhas / encravadas / não param de crescer

pequenos cadáveres que insistem em viver ao rés
dos dias

memória espetada
               na coroa de lata
               prego martelado sete vezes na língua

eu sempre soube:
há um crime suspenso
                     em todo lenço
                     atado ao pescoço


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