segunda-feira, 25 de maio de 2015

a coxa

tenho dois nomes e sobre-
nomes cruzados
ambos tatuados
                         no fêmur

indestrutíveis
gestados no colo anatômico
ligam a cabeça ao corpo fe-
moral

não podem ser vistos sob longa cicatriz amarrada na coxa
direita

apenas eu e o xamã tatua-
dor olhamos nos olhos
azuis cobalto
desses nomes que me carregam sobre as múltiplas costas
montanhosas
de suas letras

esticados sobre extensa linha àspera dois nomes próprios
impróprios ao toque mas expostos
à nudez de dentro
nomes que carrego
com a firmeza possível ao coração
descalço
neurônios machucados de pedra
e espinhos no caminho das horas

eu levo esses nomes comigo
e quem me chama
chama-os também
somos três vivendo o mesmo
corpo de sacrifício

articulado
e dividido

às vezes me esqueço

só dói quando ando


.

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