quarta-feira, 18 de março de 2015

trem

é trem
isso que atravessa o túnel escuro da minha garganta
trem
de carga riscando os trilhos distantes
do jardim
do teu pescoço, trem
soprando longe e sem fôlego a harpa
suspensa
dos teus cabelos, trem
descarrilado
na califórnia da língua
presa, trem
no parque
de diversão
dos teus saberes
institucionalizados
trem fantasma
sentado à janela
de si mesmo. trem
cortando trigais, corvos
e girassóis
heterotópicos

pra onde vão os trens, minha mãe?

pra que vãos
vão os trens
que não têm

onde chegar?


.



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