quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

devagar como a matemática

gosto de sentar num banquinho e ver a vida passar
lenta
gosto de sorrir pras pessoas que sorriem pra mim sorrindo pra elas quando sorrindo passam assim
lenta
gosto de ouvir a playlist que toca no jardim ao lado suspenso de cinzas e flores envioletadas
lenta
gosto de observar o escavador abrindo túneis escuros em toda extensão do pensamento
lenta
é a ideia que gosto de sentir
no seu abrir de pétalas
lenta

sentada no banquinho, balanço
lenta
pernas queimadas
pela xícara de chá
que já esfriou nos trilhos do tempo mas ainda
tem gosto de água
e hortelã

as folhas que me sobem pelas canelas
têm a textura estriada dos sonhos que sonhei pra viver
lenta
contigo
lenta
a tarde que se elabora vítrea em favos de mel
lenta
a tarde que se elabora
há tanto tempo
para ser
presente
de um futuro
em dois
dividido
lenta
ment
a


.

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