quinta-feira, 7 de agosto de 2014

veludosa

não me basta a língua provocante
tenho é vocação pra pavão macho que é toda flor
selvática & plumosa quando o sol lhe beberica as penas

meu negócio é ócio e o osso da linguagem:
bem ali onde a carne é mais macia
e sangra
fácil

gosto de língua povoante
povoando a minha língua
todo o resto é desvio, curva ou precipício

gosto de beijo

da palavra beijo porque rima com desejo
mas rima mais com queijo
então gosto mais porque
tenho fome

e fome de poesia não se mata com pão

fome de poeta eu mato com a quebra
do regime: direita e esquerda, essas mãos desembainhadas dos bolsos empunham facas e cortam
cenouras,
rabanetes,
cebolas e
beterrabas que sangram manchando a tábua
de carne

lambo o risco vermelho que escorre dos dedos cor
te fino e afiado de papel: carga de caneta bic: estourada no tiro da madrugada:
outra linha no emaranhado das linhas que distraem
a identidade do pavão
disfaçado na anatomia loura platinada de primavera

papel primavera rosa choque, entenda-se

veludosa é a língua povoada de segredos

e eu continuo com fome


.

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