terça-feira, 26 de agosto de 2014

tiramissu

toco as cordas
dessas coisas sem cor
translúcidas e ilógicas
de um voo que se faz no barro

estico meus braços pra baixo
colho uma porção de fome em folhas crespas
mil bocas têm as gramas
carnívoras

mas meus dentes são afiados
seletivos: precisam cheirar muito antes de morder

tenho roçadeiras nas línguas
em todas as línguas, inclusive nas dos dedos
e ourobouros descendo pelos cabelos
meus poros têm cus que não se escondem
nas dobras de página do livro da minha pele
papel reciclado pra cegos de todas as línguas
inclusive as mortas
ensinando um novo idioma fantasma
aos cus da tua pele

eucossistema
fecundada por palavras de lã e carneiros
nunca comi tiramissu mas sei:  

eleva-me


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