domingo, 10 de agosto de 2014

faz tempo

quando eu era uma xícara ele me encheu tanto que quebrou minha asa. aí me colocou na gaiola e pendurou na janela. o dia corria pra lá e pra cá enquanto a boca da noite não me engolia. vivia sonhando café quente passado na hora e ele lá contando alpiste. demorou mas um dia no espelho olhei bem pra essa minha cara de porcelana rara e saquei que já era tarde demais pra pular. voar também não dava. então fui andando mesmo. sem pressa. equilibrada em cima dos saltos. alta. e ele apequenado teve de calar o bico e sem dar um pio começar a juntar os próprios cacos. não voltei pra ver se conseguiu. fui tomar um expresso.


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