quinta-feira, 14 de agosto de 2014

bem baixinho

eu vou sussurrar o segredo colocado assim de joelhos / aos pés 
do teu ouvido: é

preciso muito braço pr'abraçar todas essas tempestades
alguma coisa sempre se perde no meio de tanto presente

preciso muita boca pr'engolir esses desamarelos girassóis
coisa alguma se ganha no meio de tanto passado sempre

será que vale a pena desenhar tanto silêncio nos desvãos in 
significantes e palavras e pontos pretextuais sem posfaciais?

mas eu empresto / mais / eu m'em presto as minhas costas 
pros teus cálculos forjados nos lábios jovens maduros de duras equações x y e zelnys raiz quadrada elevada aos quintos dos invernos potência translúcida de cigarras geométricas e ancestrais e você pode tu podes começar agora pelos nuncas da minha nuca desviando do que nela é presente: uma estrela vinda de luanda no meio da madrugada: e depois o que é agora retidão números virgulados e frações de pele em pelos arrepiados nas ruas brancuras longilíneas de lousa fria de pinheiros mas desce e aponta o lápis com cuidado que no em mim sempre tudo dói principalmente o prazer e traça um traço pro resultado vermelho porque essa busca já começa no negativo a câmera clara pra essa tua fotografia escura embaçada nas bordas laterais porque no centro ah o centro tudo é desfoque por isso por isso pendura no lugar dessa certeza uma interrogação pincela nessa conta uma interrogação trançada de corda serpente enrolada nos pincéis de van gogh desconta então duas três quatro porções de pétalas desamparadas de velhice e considera algumas pérolas ainda úmidas dessa noite sem fim de apertar os passos exilados no mapa das minhas pernas e come o teu pão preparado no cuidado de canelas demorado e impreciso é o resultado quando se soma digitais nos dedos dos pés e talvez tal vez hoje nem haja pitangas porque alguma coisa é preciso deixar pro futuro dessas coisas bonitas exorbitando o teu universo e desordenando a órbita desses dois olhos da tua iris:

não tenho ciúmes das coisas bonitas 
só tenho ciúmes daquela que é mais:


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