sexta-feira, 4 de julho de 2014

sem título

três de julho de dois mil e catorze. estranho 
é o dia que nasce para guardar um suicídio.

triste e ensolarado túmulo no fim de um caminho cheio de pistas e placas ao avesso apontando abismos.
cansei de perguntar aos meus amigos por
que, então, meu amigo?

cansei da pequenitude de um querer ser deus a má-
quina de manipular um dia no tabuleiro xadrez de se
isso se
aquilo


profano então tua morte 
com o poema idiota por
quê? tua foi a blasfêmia: 
silêncio contra pergunta

não pergunto mais e nem quero entender o chão a janela o suco de uva sobre a mesa o sorriso seu dente amarelo as festas os óculos perdidos a alegria a dor o sono estendido no sofá amarelo a toalha de banho a lágrima a vergonha o corpo o corpo a janela o chão o pai o caixão fechado 

nunca mais perguntarei
por que, meu amigo?

vou te deixar em paz mas 
nada de mais
apenas 

não quero continuar esse poema besta essa merda de poema por
que, meu amigo?

porra se nem passou pela tua cabeça que do quarto ainda poderia te restar um pouco de vida
nem que poderia ter ficado paraplégico tetraplégico quadraplégico ou a putaqueopariuplégico ou
nem que ainda assim teria sido bem melhor por
que, meu amigo, 
éramos amigos


.
[para J., hoje]

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