quinta-feira, 12 de junho de 2014

desamarelo

ela é uma terceira pessoa que não queria mais amar. elo difícil demais de desatar. então a menina pessoa terceira não queria mais amar porque sabia dentro dele - do amor - uma espreita de inevitável desamarelo. conhecido dela por isso o medo, mas não do desamar esse de desamada porque desamado todo mundo acaba sendo ou tendo sido, era o tenebroso desamor desabrochando no de-dentro que temia porque isso já era uma vez. demais da conta de doído o desamor quando toma a gente não deixa nada. desamada ainda sobra o tanto de amor na gente que pouco ou muito se transforma em carinho amizade raiva ou ódio e antes de pronto tudo isso junto em mistura desigual. ruim mesmo é quando se desama. aí não há o que faça o fundo lustroso da gente sem nada, vaziez que uma vez vista no chocante saber que se encher é pra esvaziar de novo na nova vez. e aí não há que fazer.

porque se o amor do outro a gente não controla mas quer, imagina o desejo de controlar o que parece coisa da gente. ilusão que amor não tá na força do humano. transcendança giralouquessente. ou no dizer do veredeiro d'ave palavra: amar é a gente se querer se abraçar com pássaro q'avoa. ou isso.

então que amor pra ele é pássaro e não tá colado na gente, mas pousado. não se faz na morada dentro, mas no fora que se namora. e bem porque não se ensina pássaro a ficar a não ser gaiola. domesticado nenhum é. avepalavra não é coisa de letra só o sentido sem sentido interpretado na sentença. mas se amor é todo ave! nem tod'ave é amor. que se ensina palavra picada a papagaio que repete o eu-te-amo a custa de nunca mais seu avoar. o te amo empoleirado um tempo até que é bom mas no depois se cansa do sentar. impulso verticalizando corpo montanhoso. todo de novo e avante noutra direção. às vezes só no seu em si.

mas sei não porque será que o amor se pega na mão? assim com todas as asas e penas e bico torto pra concertar? depois de desamado o amor, pra mim, ele virou é vento. não que nunca tenha sido talvez sempre que seja o amor o vento que traz o pássaro. o vento que o pássaro traz. assim essa impossibilidade de gaiola porque voo sempre a despeito de asa. brisa vento e vendaval bravo ventania vento e brisa fria depois nada. nada não é nada é só outra coisa que ficou no lugar de onde o vento dissipou. vaziez às vezes que vazio é a possibilidade de cheio. e isso é bom não fosse o conhecimento do movimento no copo. no corpo. então que não cabe a mim. não cabe em mim. nem em ninguém. nem a alguém.

sei não. mas se esse vento soprasse de novo eu queria que vento ou ave ele pousasse em você. de novo. delicada brisa ou vendaval pleno de tempestade. mais uma vez em você dentro do nada que ele deixou. plenitude de um eu em amarelo.

mas que bobagem toda é essa? amor não é pássaro nem vento. amor é coisa que nem amor nem nenhuma metalinguagem é capaz de explicar. amor fica pra depois. no quando em que não se puder evitar.

ou levitar.


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