quinta-feira, 22 de maio de 2014

van gogh

atravessa portões flancos encosta
campo de trigo vigiado por urubus
planície tempestuosa judeia semita
caos tibetano treze labaredas azuis
e queima

marcha descalço o deserto de pele
come uma a uma as unhas da mão
fortalece corpo afia os teus dentes
finca o dedo desprovido de garras
e rasga

dessa tela as minhas costas ao meio
flor torturada paisagem apunhalada
lambe as pontas dos dedos penetra
e toca

não o rosto roto os perfis pérfidos
de van gogh o suicida açougueiro
floresta serenada de doze estrelas
circuncidando o enigma de chapéu

toca no mais fundo
vermelha é a flor de tinta vermelha
convulsionada enraizada perpétua
no peito o blues amarelo girassol
que van gogh não pode suportar:

seu coração

pulsando no meu


.




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