terça-feira, 27 de maio de 2014

sopro

insuspeita
sobretudo
abro meu casaco de pele
o espelho fecha cúmplice
seus olhos

grossa cicatriz de ponta a
ponta entalhada no tronco
descosturadura demorada
na cintura

grossos os fios e a agulha
lã nevosa sobre os trilhos
túnel de carnes rochosas
faz se trilha entre cânions
vermelho

branca colina abismada
alicerce parede calcária
no fundo a gruta engole
o golem
sagrado

cúmplice o espelho não vê
braços agarrados a braços
de barro agarrado aos pés
do pescoço e peito e boca
eu toda envolta

em argila de mim própria
criação é o teu nome: ae-
maeth soprado
na minha testa
 'guarda dentro tua volta



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