sábado, 10 de maio de 2014

re-trato 2

queria posar pros teus dedos me escreverem na água em azul cordillac pingando três voltas ventadas nos arredores do pescoço canteiro cachalote de crochê tricotado no ego schiele cacharréu você ah desajustado papel polifônico estereoglota demais de azuizado siso ausente crepom desembainhando endereço com cep de futuro na porta da frente. entre. ah seliga e faça assento decolo no sofá cansado cena de novela protagônicos eu ela ele você dentro do nós cegos visionários em nuvem de fumaça verde sempre verde ferrolhos de asa aberta boca de cigarrilha formigosa de inverno já nela fechada. eslavo as mãos e os pés vermelhos de poeira e ciganices afoitas nos paralelos parapeitos desabitadas as palavras de cerberos. tridentes coloridos alfinetes fincados na pedra e - claro - se me entende sabe o braile aquecido no fogão sabe o corrimão nervoso serpente de cabelos bicicleta aleijada roda no infortúnel da máquina do tempo singer cantando enviesado caminho de centro pra mesa trigosa de pão felino fumegatos erva mata e a morte ajuda a viver. vem me ver. vermevem. agora com pérola em ruído de escombros de ostras ruinosas de assaltos altos de camurça carapuça safado vício de toc corda quebrada de baixo flying v fenda e buraco brumoso asfalto ausência noturna licorosa nos teus pesadelos diários de bordo batom pelos cantos cigana pulseira pulsando três dados moedas e cartas baralho barulho de amor. não me falte. beija-flor esquecido no fogão colibri coberto no colo de pernas pro ar cadafalso de signos germinosos e oblíquos divinais. todas as palavras são só palavras. todas as palavras são iguais. me escreve com teus dedos desavisados azuis de não contar dinheiro. me escreve diluída formal in formol em retrato amarelo de pão. eu posso. eu poso. eu pouso. à francesa. 


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