quinta-feira, 22 de maio de 2014

cicatriz

uma fenda, um vão, um abismo, um buraco
no tempo da carne
corte afiando desenho a bico de pena hiato
feito o mar vermelho entre um lado e outro
das costas

tinta cor de nota zero ficcionando verdade
pus eu líquida de mim mesma invertendo-
me perdendo-me nas pétalas do girassol

pele brotando dedos tentativas de entre-
laçamento em abraço caloroso e delicado
pele agarrando pele acolhendo apertando
protegendo ferida acesa vela tremeluzindo
sangue 
tornado à casca no passo lento da cicatriz

um buraco, um abismo, um vão, uma fenda
na carne do tempo
suave costura retalhos no tabuleiro xadrez
eu de novo inteira nas duas partes ponte
de costas

foi o meu corpo que me ensinou o amor


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