segunda-feira, 21 de abril de 2014

meu quimono vermelho inventado

é agridoce o cheiro que me incenseia os dedos
amarelo
solaridade articulada depositada nos poços cem
milhões de poros depositados nas minhas mãos
colho açafrão na exata floração d'ouro vermelho
e então o vento empurrando o ritmo dos braços
e os espinhos rasgando primeiro a pele e depois
o sangue
cortado ao meio meu sangue sangra sobre a flor
pistilos escarlates
espinhos penetrando as plantas dos pés na pisa
madura do pó
pigmento de colorido rubro faísca pro fogaréu
guirlandas de cártamo cabeça de faraó açafrão-
bastardo que estranho amor é esse que machuca
e não sopra a dor
mergulha kusumba flores secas na água do chá
afundo as mãos me enxícara o cheiro vaporosa
tintura que me veste o Qorpo
quimono vermelho inventado
com frisos de ouro
que não valem nada


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