domingo, 6 de abril de 2014

inumana

estendo-me
corpo sobre à mesa
de dissecação


canibalismo avesso a lençóis
abro-me: sou guarda-chuva
amparando garoa garota g.
fina e grossa e grossa e fina
saliva na ponta do estilingue
bilíngue


bonecacriança: trocatroca
braço perna perna abraço
uma cabeça lançada longe
olhos pintados de azul
nada de branco apenas
nudez de plástico duro
duro enrolado em digitais
meladas de bala
chita
na agulha

anatomia moderna os
sos fragmentados de-
formados ao grau 0
macaca caca prazer

o corpo acéfalo falo
entalado até o talo
na garganta escarro
catarro & pétala &
porra me enchendo
o jarro

o corpo sem gente é
a medida da minha fá
bula inumana
sem sombra
sem dúvida
sem crente rente sente

o cão me olha: com-
paixão e fome: lato
por dentro da lata
oca d'eco metálico
risco de ferrugem
nos vapores duch
ampi
anos-luz no escuro
dilaceramento vital
da incons-ciência
inexat

entendo-me corpo
deslocado à beira
da maca
da cama
da lou
da cura
da minha
da tua
petite mort im-
possível


.

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