terça-feira, 25 de março de 2014

A resposta que guardei. Ou: uma ficção de blog.



Resumo: esses são comentários inventados à banca, inspirados na leitura inimiga (não do inimigo) da minha tese. Leitura de enfrentamento, que inspira o amor e a disposição para defender o direito às ideias de serem participadas ao leitor. Mas esse texto não é artigo, é ficção complementar do outro, face-a-face atravessado pela imprevisibilidade. Ficção da ficção porque nem é a resposta inventada, mas comentários inventados à ela. Ficção porque a interlocutora é uma personagem ao modo do Orientador que ela leu. Enfim: não sendo artigo, desnecessário resumo. Fictício, portanto. Introdução verossímel para certa ficção de blog que desde o meio precisa inventar um começo.

1. Talvez você tenha começado no meio dizendo Barthes já falou sobre suicídio há 40 anos e melhor porque avançou, enquanto esta tese patinou sem sair do lugar. Entendo. Mas não sei se posso ficar feliz por ele ter avançado nisso. A verdade é que a ficção de Barthes não é melhor do que a minha. Só é outra. Então um brinde: vida longa ao sucesso do suicídio de Barthes! E ao fracasso do meu.

2. Barthes também foi o nome do meu cachorro. Só que eu não tive cachorro. Barthes, que na verdade era o cachorro da minha irmã, dividia comigo o prazer do texto. E e um osso. Duro de roer.

3. Continuo com Barthes, citado para negar a ideia de que toda linguagem é expansão de uma fala inaugural: o eu-te-amo. Barthes-você crê na comunicação que nasce do eu-não-te-amo. E eu fico imaginando o que pode ter acontecido a ele para que dissesse algo assim tão terrível... Eu, Geruza, não posso conceber uma relação entre dois que floresça num não. Porque mesmo que haja o não, ele necessariamente teria de vir depois de um sim. Exemplo: você disse não à tese, mas só depois de aceitá-la. Mas não é a minha tese que importa aqui. O que me parece terrível é preferir construir toda uma teoria da comunicação pautada no eu-não-te-amo ao invés de no eu-te-amo. Sim, terrível! Talvez seja essa a origem do seu suicídio (de Barthes). Difícil comentar algo tão duro e blindado. Calo-me em nome de sua dor. Provavelmente tão grande quanto a minha. Brindo à nossa dor? Ou aos diferentes caminhos que escolhemos para combatê-la?

4. Essa querela entre eu-te-amo e eu-não-te-amo pode dar a impressão que escrevo pelo segundo. Imagino isso com base no que disse e também porque minha leitura se faz dissimétrica. Queria fazer saber que só escrevo porque amo. E que todo autor escreve por amor. Mesmo que as consequências dessa escritura pareçam negar isso. Por amor, o autor é culpado. Escrevo porque sou culpada pelas quatro noites que ficou sem dormir por causa da tese. Como autora não estava lá para fazer algo por você. Tento fazer aqui, sempre no risco de estar promovendo noites de paz ou outras, de insônia. A tese sabe-se em dívida: você sofreu por ela ou, como frisou, se aborreceu com ela. A tese tem um ponto final. Eu não. Tendo restituí-la nessas justificativas. Também eu me faço insone: em gratidão velo teu sono contando-lhe essa história de blog.

5. O acontecimento. Você tocou no acontecimento da tese. A tese é sobre isso. Também é isso. E outra coisa. A tese aconteceu-lhe. Deixou-a quatro noites sem dormir e posso imaginar o quanto tenha sido ruim. Fiquei quatro anos. Quatro anos e, agora, mais quatro noites. Essas, por você. E ficarei mais quarenta se precisar. Aconteceu-lhe a tese. Impacto. Algo não esperado ao qual não se sabe responder. Porque não vem com pergunta. Por isso, desestabiliza. Impossível manter-se distante porque nos mergulha. Impossível manter-se crente porque dissolve referentes. Num átimo, estamos mergulhados no deserto. Enterrados sob o céu. E aborrecidos. Foi exatamente assim que me senti quando aconteceu-me. Dois corpus atravessando minha pesquisa. Eu me aborreci. E chorei.

6. Foi muito difícil ver encenado o acontecimento na banca. Não queria mostrar-lhe. Não podia dizer-lhe que o que se passava ali era da ordem do terrível. Embora todos, você mais do que todos, estivessem cegos a ele.

7. A cegueira segue o acontecimento. Mas também toda leitura já que a escritura sempre utiliza dois códigos, mesmo que tente apagar as marcas de um deles ou que fechemos os olhos a isso. Dois códigos. Realidade e ficção. Estrutura bisagra que se sustenta no duplo. Aporia da duplicidade que lhe fortalece e fragiliza. Então, oculta-se um código em favor do outro. Império de força. Para ver os dois é necessário piscar o tempo todo. Processo doloroso cortado pelo silêncio. Ato falho: pelo escuro. Ou vazio? Mais fácil escolher entre um deles e seguir de olhos abertos buscando o que aquele código tem a oferecer. Ainda assim um agravante: como saber a leitura que se faz do código? Qual a garantia que esses códigos estejam sendo lidos da mesma maneira por pessoas diferentes? Exemplo: a incomunicabilidade entre nós duas nascia do fato de que o que você lia como pertencente ao real (tese, resultado, corpus, método, contribuição) para mim era ficção; já o que você lia como ficção (suicídio-metáfora, vida-entubada, sobrevivente, Orientador-personagem, amor) para mim era o real. Desacordo de origem. De origens. De posição. De posições. Político.

8. Ser doutora é a mesma coisa que não ser. Mas “ser” me investe de responsabilidade infinita perante aqueles que não sabem ou não acreditam nessa igualdade. Ser Geruza é a mesma coisa que não ser. Mas Geruza me investe de responsabilidade infinita perante aqueles que sabem ou acreditam na diferença.

9. É essa responsabilidade que obriga a escolher. Enganou-se ao dizer que não fiz nada na tese porque não sai do lugar. Manter-me naquele lugar foi uma escolha política e consciente. Ilha na liquidez de uma tese processual. Desde aí a responsabilidade de responder-lhe mesmo quando a resposta não é solicitada. Mesmo quando nem há pergunta. Mesmo quando tudo isso não passa de ficção. Porque o risco de que tudo seja ficção coloca-me frente à possibilidade de que a ficção seja uma coisa de fato bem séria.

10. Não seguir suas orientações de qualificação pode ter muitos motivos, mas chamá-la para prestar-lhe contas, assim como aos demais colegas que me sugeriram caminhos, é responsabilidade política. Entre os caminhos que me propuseram havia outro de igual peso acenando para mim: o meu. O diferente daqueles que me apontaram. Onde escreve-se o dever de aceitar os caminhos traçados pelos outros a si? Mas entendo seu aborrecimento: havia uma expectativa com relação ao que viria a ler na defesa final. Mas estamos falando de um acontecimento e os acontecimentos são naturalmente aborrecentes porque quebram qualquer planejamento. Também eu havia planejado muitas coisas para mim nesses anos de doutorado, na vida e na arte, mas aconteceu-me sair dos trilhos. A vida quebra expectativas. E quando se tem de improvisar, qual caminho pode ser melhor do que o único possível? Ou aquele em que acredita? É, eu também me aborreci muito...

11. Mas fico surpresa do seu aborrecimento ter origem nas orientações sobre o que eu deveria fazer. Na hipótese de que perdeu tempo só porque não fiz o que me pediu. (Ou mandou. Não lembro o verbo usado na arguição). Fico me perguntando se em todas as bancas que participa os candidatos fazem o que se planeja para eles. A mim isso explicaria porque, como disse, algumas defesas são um “saco”, afinal seria como riscar um croqui e dois anos depois ser chamada para vistoriar a obra pronta. Entendo, porém, que haja estranhamento quando se é exposto a uma situação em que se quer ouvir algo e outra coisa se diz. Mas o que se diz não elimina o que não foi dito, de algum modo ele está ali às margens. A margem fala. Fala, só que é preciso ouvidos para ouvi-la. Então não perdeu tempo – dois dias? duas semanas? - escrevendo seu roteiro para mim: depois dele passei dois anos e meio escrevendo para você. Por isso, chamei-a à banca. Para o diferente. Para o presente.

12. (Mas os tempos de dois são muito relativos e nunca proporcionais. Exemplo disso numa banca: dois meses para elaborar as questões versus dois minutos para tentar elaborar as respostas. De algum modo estou também tentando restituir isso aqui: o tempo no eco daquelas falas em mim.).

13. Porque uma fala precisa ressoar depois de soar. Em dois tempos se faz o diálogo. É claro que não falo do diálogo da banca. Aquela é uma cena de estrutura ficcional, óbvio. Falo do diálogo entre mim e meu Orientador que se fez durante esses quatro anos e que, por se tratar de uma tese sobre seu processo, foi explicitamente incorporados à escritura. Sua leitura transformou meu Orientador num personagem, depois o destruiu dizendo que não era “meu” porque de tantos outros. Sua negativa parecia recair sobre o pronome possessivo. Então eu lhe pergunto se, em suas orações, ao pedir ajuda divina, assim se expressa: “ajuda-me, deus-dos-outros”. Porque se é assim que o chama, não teria nada a dizer. Mas, se o chama “meu Deus”, então lhe diria que quando Deus falta – e ele falta todo dia, especialmente em dia de acontecimento – é a um Guia, um Irmão, um Orientador horizontal que a gente pede ajuda. E, quando precisei, o meu orientador nunca me faltou. Possivelmente você leria isso como metáfora, mas essa é a parte real da minha tese.

13*. Mas paro ainda aqui e convido-me a pensar: porque meu orientador nunca faltou? Acaso possuía disposição incondicional ou sua presença foi ordenada? Envolveria-se espontaneamente na tese se ela não o tivesse envolvido? Incluído? Retirado o véu que o encobre? Cobrado e recobrado sua voz? Não sei. Não saberei. Já não importa. Ele esteve presente. Porque ser orientador de outros além de mim não diminui sua responsabilidade perante mais esse eu: meu. Talvez que, diante da responsabilidade da presença, erga-se a responsabilidade do chamado. Convocação. Orientação ao apelo da tese. Orientação que não se faz em mão única. Via dupla. Troca. E se essas perguntas nunca serão respondidas, a resposta impossível faz com que continuem ecoando. Responder não é dar resposta. Responder é se apresentar. Perguntar é chamar à presença. MEU é se colocar, ora atrás, ora à frente, de uma letra muda.

14. Você disse que só eu chorei na tese. Reclamou as lágrimas que não chorou. Mas eu desejaria saber se queria chorar comigo, por mim ou por você? Porque as lágrimas da tese são as lágrimas daquele que feriu-se: está ferido mas também foi o causador de sua ferida. É ativo e passivo de lágrimas. Eu nunca tive a intenção de fazer chorar, de causar feridas. Sei que tem as suas. Todos temos. É um estranho, mas bonito desejo esse o das lágrimas. Mas se elas lhe faltam não serei eu a plantá-las em você. Pelo menos, se puder evitar.

15. Tentei mostrar a estrutura espelhada entre a vida e a arte. A estrutura espelhada entre o acontecimento da tese e o acontecimento da vida e, em alguma medida, o acontecimento da banca. Entre a ficção e a realidade. E a fragilidade da estrutura. E por ver e mostrar isso, pedi perdão. Enquanto você dizia“eu”, assim como eu fiz na tese, toda sua fragilidade se expunha para mim como expus a minha para você. Ás vezes, entre a urgência de responder suas questões, me perguntava: por que ela está me dando a oportunidade de matá-la? Por quê? Para quê?  Estou (me) defendendo (d)o quê? Por quê? Para quê? Será que isso é uma armadilha? Será que ela deseja que eu a violente com a violência que tendo combater? Como faço para não matá-la? Como faço para não morrer? Será que ela está vendo tudo isso como eu ou como eu está cega?

16. Não, não quero as respostas. Elas pouco importariam porque diriam respeito só a mim. Mesmo porque viver e morrer são modalidades com significados diferentes para um sobrevivente. Para dizer respeito aos outros, aos vivos principalmente, só preciso mostrar que existe a possibilidade das perguntas. Deixo a ficção das respostas definitivas para aqueles que gostam de procedimentos mais radicais dentro da universidade. Para aqueles que preferem ocultar a estrutura bisagra que sustenta uma instituição alicerçada no código.

17. E fico imaginando se algo mudaria no script caso o cenário da banca fosse outro. Penso numa encenação onde o personagem-candidato ao doutoramento não tivesse de se sentar numa mesinha, apartado da grande mesa dos arguidores, ou com um ar-condicionado estranhamente posicionado em cima da sua cabeça, ou uma janela com grades às suas costas. Penso numa mesa redonda onde coubessem todos. As perguntas, ao invés de lançadas de uma ponta a outra, circulariam. É claro que sei que se trata de um ritual, por isso usei as imagens de tribunal e júri para definir o ambiente. Mas seria ilegítimo ou indelicado pensar a respeito? Fiz essa mesma pergunta à minha mãe e ela disse que numa mesa redonda haveria o risco de que o ritual perdesse o caráter de seriedade e importância. (Ela gosta mais do modo como é). Eu compreendo e concordo que há mesmo esse risco. Mas também não haveria em igual medida o risco de que os encontros em mesas redondas – também eles originariamente ritualísticos – readquirissem esse caráter de seriedade e importância perdidos no uso cotidiano?

18. Qual a porção de rebeldia admitida no quadrado da disciplina? Espero que o suficiente para se pensar a disciplina. E ver a transparência das regras. A opacidade dos deveres. Tudo o que quis com essa tese foi silenciar respostas para poder fazer ouvir as perguntas. Se algumas vezes esse silêncio provocou silenciamento ou violentou é porque trabalhava com uma matriz ambígua e fazia questão de mostrá-la. Toda a tese foi também um pedido de perdão por isso. Mas outra forma de silenciamento violento seria responder com mais-do-mesmo. De perguntas e respostas mais-do-mesmo, a universidade está cheia. Posso não ter chegado a um resultado que salve da indignação, mas tentei nessas páginas que não saíram do lugar esboçar um pensamento da indignação. Tentativa de reconstrução da dignidade humana. Começando pela minha.

19. Uma tese (do) acontecimento. Uma tese (de) sobrevivente. Uma tese “entubada”, como você disse. E vejo que sua leitura inimiga leu o coração da minha tese. Sim, entubada. Não só a minha tese, mas também a minha vida está entubada. Como a de muitas pessoas, afinal. E isso não é só porque mantenho dois corpus sobrevivendo no peito, mas porque a universidade está ela mesma entubada. Uma ideia de universidade está vegetando e permanece respirando com a ajuda de aparelhos. Entre a vida e a morte.

20. Como decidir pela morte do que se ama e se acredita? Eutanásia ou cura? Do acontecimento restou-me a busca pelo impossível. Cura. Mesmo que só como promessa. Acontecimentos paralisam ou fazem o caminhão andar.

21. O problema está armado. O diagnóstico: negativo ou positivo? A tese foi aprovada. A tese desobediente. A tese que não fez nada. (Nem sorrir, nem chorar). Corajosa. Covarde. Mas o que significa essa aprovação? A tese-doutora que nada fez é exemplo do que se faz ou do que se deixa de fazer na universidade? Da seriedade ou falta de?

22. Acho que meus comentários inventados podem parecer ressentidos, principalmente porque se dirigem à leitura de choque, de confronto. Não sei. Sei que são, sim, muito sentidos. Todas as arguições foram sentidas e valorizadas. Mas, evidentemente, responder à leitura não concorde é instigante porque obriga a um exercício de reflexão no qual se aprende muito sobre o próprio pensamento porque é preciso persegui-lo nos seus pormenores. Já o exercício dirigido às ideias aparentadas constrói elipses de raciocínios que se pensam compartilhados e de conhecimento comum, diminuindo o esforço intelectivo da busca por se fazer compreendido. Pelo outro e por si mesmo. Ficar (res)sentida e optar por não esconder isso - uma coisa relativamente simples de se fazer - é o meu modo de dizer que me importo muito. É o meu modo de mostrar que também fiquei aborrecida por não ver a leitura das coisas que me importavam, mas, ao invés dela, aquilo que importava ao outro. O que, vejo agora, é bastante normal.

23. As perguntas que faço aos estudantes que, porventura, leiam essa tese são aquelas que também faria à mim: por que uma tese assim se escreve? Melhor: por que uma tese assim se escreve quando quem escreve tem plena consciência do que está fazendo?  Quais as demandas que o gênero já não pode suprir? Se há algo que o gênero tese não abarca ou o transborda, então o que é? O que autoriza supor que o que se lê não é uma tese? A tese é o único produto/bem palpável da universidade? Como mensurar o valor dessa mercadoria? É possível articular tese e fetiche? Quem lucra com a forma fixa? Que zonas de segurança são abaladas com a mudança da introdução para a página 125? Essas perguntas me fazem pensar que talvez precisemos de certo distanciamento desse texto. Respirar. Tomar fôlego. E, um dia, reler sem o sentimento de ameaça que ronda esse tipo de situação. Quem sabe se algo mais dali... escorresse... das minhas mãos para as suas e das suas para as minhas...

24. Enfim, essa ficção de blog, destinada ao blog, já tem quatro páginas: uma para cada noite insone. Desejaria, com elas, poder expressar minha gratidão pelas leituras, mais ainda, desejaria pagar minha dívida pelo aborrecimento. Impossível. Pagá-la ou apagá-lo... Desejaria que no lugar do aborrecimento sobrasse apenas uma história bonita que pudesse ser intitulada como Barthes & eu, por exemplo, Geruza.


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2 comentários:

  1. SEU CASO NÃO É DE SUICÍDIO.....É DE ASSASSINATO....VC MATOU ALGUMA COISA NA CRÍTICA FRIA E ACOMODADA....E ISSO ERA O QUE ESPERÁVAMOS!!!

    OBRIGADO PELA CORAGEM INDÔMITA

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  2. Gê, eu, como já te disse, gostei muito de assistir à experiência de sua defesa. Enquanto a encenação acontecia, eu pensava: isso é a materialização da proposição da Geruza, uma tese em movimento que se constitui enquanto ato de fala, de escuta e de escrita. Uma tese que morre se ficar em silêncio, que precisa continuar para ser.. sua tese não é tese fim, é tese meio. Então, não daria mesmo para a gente querer ouvir de vc uma frase definitiva. Ela não existe em seu texto e vc nunca se propôs a isso. Agora, o que é tese meio ainda está para ser feito/vivido, escrito/apagado.
    A literatura não é mais que a vida, vc disse. Concordo mesmo que não é. Mas, para mim, como ser o que é importante sem a literatura? Como deitar a cabeça no colo da mãe, comer a comida gostosa que ela faz sem saber palavras com sonoridade ímpar, frases que se combinam de um jeito que só na literatura a gente encontra? Não quero colocar a literatura no lugar da vida, mas não quero que a literatura não tenha lugar na vida. Ou melhor, não sei ser eu ou ver o outro sem a intermediação da literatura. Eu não teria sobrevivido sem a presença salvadora de Fräulein, de Amar, verbo intransitivo. Ou de alguns versos do Drummond. As palavras desses autores me explicam, entende? Aí me devolvo mais humana para os meus amores, minhas crises, meus maus bocados. Pena que Barthes não aguentou e não mais pensou e repensou a sua tese... O que desejo a vc é isso: que pense, repense; escreva e reescreva sua tese. Sempre no meio do caminho, aguentando o que é, o que será ainda e o que, infelizmente, não foi do jeito que a gente queria. Eu te amo..
    bjbjbjb

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