quinta-feira, 6 de março de 2014

00h16

agora são meia-noite e dezesseis dezessete agora, senti um pouco de medo e olhei pra trás... bobeira não há nada a não ser um pouco de medo e a flexibilidade natural do corpo que permite até ao serhumano mais sedentário do mundo um leve mover-se, no caso mover-me... acho que estou ficando louca de novo o que é bem natural em termos de mim e de quando em quandos... hoje parece que está acontecendo alguma coisa porque há um zumbidinho nos meus ouvidos, um zumbidinho vindo de bem longe tipo do zimbabwe ou algum outro lugar exótico e cheio de girafas... então aí no quando que isso dá sinais de acontecer sempre faço um teste: pergunto-me o que me apavoraria mais se entrasse no quarto agora: 1. uma barata (ou uma rã, um grilo, uma lagarta verde peluda, uma cobra coral fininha como a que entrou no meu sapato quando eu era criança ou uma tarântula de dois metros, enfim bichos perfeitamente comuns de aparecerem no quarto da gente no meio da noite), ou 2. um tubarão (ou uma anêmona alienígena, um gremlin, um tiranossauro-rex, um pelicano branco em migração como aqueles do filme a grande beleza, um godzila, ou seja, animais que em hipótese alguma poderiam bater-me à porta, pelo menos não numa hora dessas aqui na casa dos meus pais, afinal essa é a casa dos meus pais numa pacata cidadezinha de 32 metros quadrados desenhada de giz na calçada do mundo)... bom, então eu faço o teste pra mim mesma e eu tenho de pôr um xis em pensamento em uma das opções: no quando em que eu assinalo 1. eu to normal, quer dizer to numa normalidade de sobrevivência; já quando eu me respondo 2. é porque o bicho vai pegar e vai pegar literalmente porque essa bicharada do item 2 não fica de bobeira esperando minha mãe acordar com meus gritos e vir de havaiana em punho pra cima deles toda vez que isso acontece eles vêm pra cima com tudo e me estraçalham com os dentes e enfiam as garras na minha jugular e chupam todo o sangue depois quando eu já to morta eles matam minha mãe, meu pai e minha irmã nesta sequência depois seguem pro resto da cidade e acabam com tudo e eu só sei disso porque um dos meus olhos sobrevive pula da cabeça esmagada e se esconde embaixo da cama e de lá fica observando tudo sem poder piscar... hoje pra dizer a verdade eu acho que to normal porque sinto que teria mais medo de uma barata mesmo, principalmente se essa barata for do tamanho dessa que eu to agora pressentindo atrás de mim e que eu sinto que vai me abraçar e me apertar no seu paletó de asas e enfiar suas antenas no meu cérebro e me sujar com mensagens de esgotices e depois cuspir nos meus cabelos aquela gosma branca clariciana que vai deixar um grude que só e eu vou levar um milhão de dias para conseguir tirar os nozinhos e penteá-los novamente... pronto, agora acho que passou o fim do mundo... e começa o medo.


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Um comentário:

  1. horrível essa noite em que ela chorou de insônia, em que os pensamentos não paravam de ser palavras e mais palavras e também foi a noite em que uma lagartixa se escondeu atrás do quadro com a cara dela e se transformou num crocodilo... e ela alucionou o tempo inteiro com o crocodilo deitado do seu lado na cama e eu sabia que era alucinação mas crocodilos mesmo alucinados metem muito medo na gente... e saber que tava indo tudo bem até aqui...

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