segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

origami

absolutamente
não me importo com tuas mulheres
muito menos ainda com tua mulher
todas como eu
sem exceção: uma a uma nuas
estiradas sobre a mesa: seres
de papel
isógonas, polígonas ou poliglotas
ainda assim papel
papel de seda
papel crepom
papel manteiga
papel de pão
papel presente
papel vegetal
papel vergé
papel couchê
papel dobradura
papel reciclado
papel higiênico
papel sulfite
papel jornal
papel sem papel
nos papéis que lhes cabem no teatro
de tsurus amarrados há tantos anos
pelos pés e aos pés de um papelão
sim não me importa essas mulheres
as como eu
como a mim
papel de arroz
              doce
papel comestível
escrita em guache
inscrita na cana e no mel que devoras
senha secreta do teu livro por vir
e virá papel-nome
traçados-ângulos escher infinitos
escondendo a origem: origami
mulher desdesdesdobrável
poesia que antecede suporte
pássaro-suspiro que voa linda
imagem colada ao cérebro de dedos
beijo-penumbra na pele da pálpebra
não não me importo
com tuas mulheres
nem com tua mulher
como eu não há
papel impossível
de se esconder sem deixar rastros

acredita

os melhores esconderijos estão além mar
onde só é possível chegar numa garrafa
ou dentro
d'um papel cartão
                  postal

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