terça-feira, 14 de janeiro de 2014

insônia

... e o que eu faço meu deus com esse tormentoso instantâneo de palavras por que meu deus esse dizer que não finda essas palavras luxuriantes todas vindas todas lindas e tão nuas seduzindo minha imaginação um descompasso um delírio uma alucinação uma doença uma doença do espírito uma doença de carne e unha esse fulguroso incandescente e o impulso o impulso o impulso frenético de juntar de buscar de fugir do sentido incessantemente incessante mente transbordante de sentido e não sentido e seja lá o que for ou vir ou ir o que eu faço com esse sendo esse pensar palpável que se escreve e  se descreve e se me dita em sua forma meu deus por que por que esse dito devedor de um dizer sempre em falta quem quem entenderia a necessidade de dizer urano urano e depois mais uma palavra mais uma vírgula e um sol ou então um laço um lance um dado que o localize nesse universo feito de letra e som e silêncio senhor por favor me ajude a não pensar a não pensar em escrever a não sair da cama pra me livrar dessas palavras dessa antena me desantena eu não quero escrever me livra desse câncer gráfico desse tumor maligno que me mata pouco a pouco acaba senhor com todas essas palavras tira os véus e as formas desnuda e depois o vácuo o oco o nada de uma ideia que se dissipa lentamente em direção de um ponto onde tudo finaliza onde tudo implode meu deus meu deus me livra de todo esse mal amém amém amém amem amem amem porque eu já não posso mais

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