sábado, 4 de janeiro de 2014

gato branco na janela

não gosto de gatos
mas ele me atrai porque dorme
encostado à rede da janela

enquanto ela passa-lhe a mão
displicente e lânguida calcinha
e sutiã de malha
desfilando sua penugem clara
aos vizinhos privilegiados

do meu camarote
o tempo para para as costas longas
tela macia pr'uma tatuagem vertical
impossível aos meus olhos
                      sempre nus

mereceria um binóculo
ou pelo menos que o gato caísse
ampliando meu campo de visão


se uma caneca nas mãos
um comercial de margarina ou absorvente interno
mas nada: nem um livro sequer para atrapalhar
a poesia pura da naturalidade

ela se vai
me excitei observando-a

[ela não me vê
não me viu]

sorrio
calculando quantas pessoas
se excitam comigo à janela
todos os dias
              como ela
              pela manhã


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