quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

depois do mar

lua grávida
entre o céu e o mar
tapete de areia gelada
pés que se buscam no escuro
corpo pegando fogo no braseiro da vontade
e o poema
se costura
nos sussurros d'um peito que escapa ao biquini
d'um pênis que renasce nas mãos
ondas
salivando
espumosas
brancura de uma praia infinita desenhada no pescoço
ossos vergando sobre corpo leve de estrelas
e o poema
se costura
no apesar do desejo
no apesar da estética clássica
no apesar da imagem perfeita
preferindo ao lençol
de sal e areia
os trapos puídos d'uma cama capenga d'um quarto vagabundo d'um motelzinho barato à beira da estrada
o poema
se costura
e se faz no sexo bom do mar de dentro
sem algas enroladas
aprisionando
canelas


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