terça-feira, 28 de janeiro de 2014

baby

a Grande Poesia
essa das alturas, 
da transcendência, 
da nanografia e dos surrealismos quânticos
não precisa dessa minha língua
ela já tem a sua linguona pra se autoerotizar
e enlouquecer os doutos

minha língua é livre de responsabilidades
e dança instintivamente
ainda não sabe a forma e a rigidez
é linguinha baby
flexível
ainda nem saiu da mamadeira
chupa chupeta como quem devora poesia
língua moleca
[ainda não sabe o poeta]
se pega-pega
se esconde-esconde
se lambuza no chão 
molhada

a Grande Poesia olha e torce 
o nariz romeno
põe o linguão ereto pra fora 
em metáfora ao falo

mas minha língua 
não se esconde
marota
fica lá no banco 
de trás
fazendo 
loucurinhas


.

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