quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

a cor dos sonhos

houve uma vez. ele mencionou o sangue verde das folhas e eu não entendo nada de cores. sei do vermelho porque é difícil esquecer. e do azul porque é blue. mas o verde é a mistura do azul e amarelo e não precisa ser especialista pra saber disso. nem ter diploma porque isso se ensina no primário na aula de cores primárias e secundárias. mas se ele disse "o sangue verde das folhas" assim bem no meio de um poema é porque o verde tem uma ancestralidade com o vermelho. aí acho que dou conta de entender um pouco do verde também. apesar de. e hoje estando no ontem porque o ano não acabou em várias tradições me recordo de um lugar distante que guardo apertado no peito. quando eu era criança brincava com uma florzinha que não sei o nome. era uma florzinha verde que ficava boiando num não-sei-o-que da minha mãe cheio de água. aí eu ajoelhava perto dela e enfiava o dedinho nela afundando-a até onde meu braço alcançava. aí tirava o dedo e ela pulava. ela subia de novo. não importava o tempo que permanecesse lá embaixo ela voltava. não se afogava de jeito nenhum. eu tirava a mão ela subia de novo. e de novo. infinitas vezes até eu me cansar. ou me molhar e levar uma surra. mas é aí nesse vai-e-vem que entra o grande mistério: ela subia sequinha... você acredita nisso?!! não importava o quanto eu tentava molhá-la ela subia sempre seca. ela não se entregava ao meu desejo de afogá-la. porque se entregava completamente ao seu verde. e o defendia porque era tudo o que tinha. não sei o nome dessa flor. acho que ela nem existe mais... era uma flor insubjugável... como alguns sonhos, talvez.


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