sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

sálvias

eu já fui vermelha quando morava no útero da minha mãe
meus poemas são todos vermelhos antes de nascer
fora, ensolarizam-se iluminando tudo
[menos o que não se vê]

dentro
tudo é sangue

hemorragia é sentido testando limites da forma

mas os glóbulos brancos inconformados
estão sempre procurando por algo mais

e colhem sálvias vermelhas
abortando meus poemas
pensando entender
a misteriosa
etimologia
do útero


.


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