quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

hábito impertinente

hoje eu acordei toda desregrada
de ABNT
me escorrendo pelas margens
forçando os limites do papel... que papel?

hoje eu acordei sem papel
com o cabeçalho em branco, despaginada
sem notas de rodapé acorrentadas às canelas

hoje eu acordei completamente informe
mais livre do que de costume, apesar
da sentença versos lacrados sob jugo de juiz
sem nome ou subtítulos
pra me dar coerência e lógica
tartamudeante

hoje eu acordei analógica
pensamento sem pensamento
como quem abre a janela e simplesmente olha
como quem come para matar a fome
como quem bebe até o último gole da sede
como quem fuma o cigarro apontado pro céu

hoje eu olhei a cara do Dia e ele disse: Vem
mas com que roupa se tão habituada à nudez de dentro?
impossível às calçadas e às casas de banho
aos cafés, às exposições e à praça pública

então acenei com educação, bom senso e sorriso
fechei as cortinas pensando que algumas pessoas nasceram incapazes e não podem jamais ser livres


e voltei pra poesia
minha prisão já conhecida


.

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