sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

expulsão

a chuva que chove dentro
           me expulsa da casa de mim
nem os batentes seguram
essa que rola ruas abaixo
           destituída de teto e colchão

corpomonumento privado
agora espatifado na praça pública
publicada na rede social suja de mundo e sarjeta

só você não me vê e eu só vejo você

apegado à cintura de uma nova ideia
enlaçando a ideia d'uma nova cintura

molhada:
sou parte da paisagem urbana parada de ônibus que circula o pensamento
edificada:
germinação de um amontoado de casas feias e estabelecimentos comerciais
emparedada:
extensão de muros descascados e altos portões de ferro cuspindo ferrugem

confundo
mas não me fundo
antes edifico-me ereta
alta de andares que arranham céu
orgulhosa e completamente revestida
da geometria rara de ricos azulejos portugueses


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