sexta-feira, 1 de novembro de 2013

noiva

desfaz-se
rápido demais
o vestido branco
que teus dedos hábeis teceram de renda e açúcar
palavroso raro sobre minha pele carcomida de sol

desnuda-se salmoura cristalizada no emaranhado de teias
finíssimas conjecturas orvalhadas nos vãos das cicatrizes
quase não se vê que meu branco é outro
branco desprovido de cor
branco de fundo ferroso
branco sujo sem brancura

procura o que resta no decote em V
hall de entrada para seios vizinhos
alarmados do inesperado de mãos
intruso no trajeto que parte
o pescoço
tateando a nudez da nuca, da veia
e descansa no balanço da garganta
engolidora a seco de sua chegada

no centro de um V
uma bandeira flana teu nome
plantado no alto dessa funda
es
ta
ca


.


.

Nenhum comentário:

Postar um comentário