quarta-feira, 13 de novembro de 2013

íntima aliança

é que essa cama é grande demais pra uma mulher
por isso eu me desdobro em outra
e são quatro mãos e quatro pernas
duas bocas e duas virilhas e tantas línguas
que eu nem sei
alinhamento paralelo de peitos montanhosos
eu tão linda e desejável pelo mim que me lambe
axilas que eu como com fome de pele
e pelos que são linhas que se descosturam
dos corpos dourados
iluminados pelo abajur
testemunha transitória do casamento na cama
sim e eu também digo em eco sim
ecoa nossos gemidos em uníssono
enquanto dedos afundam no círculo molhado
da aliança
sim agora os meus dedos selando o compromisso
entre mulheres duplicadas que se amam na cama
apertada
uma contra a outra
até se fundirem de novo num gozo pleno

geometrias impressas no lençol como flores
futuristas regadas de suor
duas mulheres dividem o mesmo espaço
o mesmo abraço

duas mulheres dividem-se
e somam

um piano adormece na ponta dos dedos

Um comentário:

  1. Gê,

    O que escreve me encanta, me emociona, me deixa tonta de prazer...é viciante ler você.
    Obrigada por existir, Amorinha!

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