quarta-feira, 27 de novembro de 2013

hematopoiesis

já pensou se a gente pulasse tudo isso?
encurtasse o caminho?
chegasse lá sem ter de operar o poema?

ah se eu fosse você...

poeta, deixa pra lá
esse lance de lábios e nuncas e coxas e lábios
de novo e de baixo e de cima e agora e mais
de uma vez

poeta
mete logo os dentes na minha medula

mete os dentes com vontade que nem dói
[se souber fazer direitinho]

vampiriza o que eu tenho de melhor
germina minha célula-tronco
fecunda minha célula-mãe
estamina o que é rara e rubra poesia
deita e se enrola no meu tecido hematopoiético


e então beija a minha boca
cala minha boca
engravida minha boca

mete logo nela
um livro
       teu


.



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