sábado, 9 de novembro de 2013

estrela

ela tinha uma estrela nas costas
e eu não conseguia pensar em mais nada

cinco pontas afiadas e uma cravada no meu peito
não nesse peito de conotação romântica
receptáculo de coração estilizado
uma ponta cravada no peito do meu sexo
chuvoso no entre-pernas
não essa chuva denotativa que despenca de uma vez
mas a garoa fina infernizando a calcinha
desestabilizando minha postura acadêmica

não sou conservadora
mas conservo certo apreço por estrelas
em especial, as supernovas

não, absolutamente não sou conservadora
embora concorde que as estrelas deveriam ser proibidas
pelo menos nos lugares onde predomina o tempo nebuloso:

nos corredores, na reitoria, nas salas de aula, nos departamentos
no céu
e na universidade

lugar de estrela é no chão
embaixo dos tapetes, dos carpetes, dos capachos, das mesas
das botinas pesadas
enfim, de tudo que é corpus
inclusive do meu


ainda mais assim estrela com cadência
rara, suspensão interestelar difusa
consonância luminosa que começa na nuca e nunca
termina na cintura
linha d'água
sob cílios jeans

decotes e estrelas são grandes riscos filosóficos

seguro os passos
nenhuma pressa
livros eclipsados


sigo-a:
ela, meu horizonte

uma estrela no céu costado

em algum lugar um nascimento se anuncia
e aguarda o presente

sigo a estrela
e levo a chuva


.



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